Parnahyba Sport Club – Penta Campeão Piauiense de Futebol !

Por Renneé Cardoso Fontenele

A proposição dos 10 títulos estaduais do Parnahyba não é algo absurdo e nem motivo de chacota. É, pois, coisa passiva de verificação, e algo ocorrido com outros times de futebol do Brasil.

Como já houve uma explicação para isso, em outras oportunidades, os campeonatos realizados no início do século xx (1900), no país, eram de natureza amadora (como se vê em alguns artigos), oferecidos pelas Ligas. Assim sendo, cada Estado fundava a sua e, em alguns, ocorria o fato de haver mais de uma – como foi o caso do Piauí, de São Paulo, Rio de Janeiro, etc. –, com exceção dos Estados que começaram mais tarde a prática do futebol, como é caso do Estado do Acre, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Tocantins.

Desse modo, o futebol regional daquela época era da alçada das Ligas. A título de exemplo, pode-se citar a Liga Pernambucana de Foot-Ball, criada em 1912, mais tarde chamada de Liga Recifense, e, depois, de Liga Sportiva Pernambucana (LSP), modificando seu nome para Liga Pernambucana de Desportos Terrestres (LPDT), em 1918, e, mais tarde, para Federação Pernambucana de Desportos (FPD), até chegar ao nome atual. Fato é que só em 1937, com a entrada do Central de Caruaru, estreava na competição um clube do interior de Pernambuco, fato que consolida a afirmação de que o campeonato era disputado pelos times de Recife, apenas, até a data de 1937, sendo seus campeões todos de Recife. O Sport, maior campeão do Estado, contabiliza seus títulos (38) desde o início, isto é, 1916, realizado pela Liga. Outro grande exemplo, para não se ir mais longe, é o Cearense, com o próprio Ceará, penta campeão pela Liga Metropolitana Cearense de Futebol (LMCF), sendo, como bem diz o artigo, união dos times com o intuito de organizar melhor a prática futebolística da cidade de Fortaleza.

Como se vê, os campeonatos regionais daquela época (já mencionada aqui) tinham ares citadinos, da mesma maneira em que ocorreu no Piauí. A diferença, apenas, em relação aos exemplos citados, reside no fato de que, como havia um bom desenvolvimento em Parnaíba, por conseguinte refletiria no futebol da cidade, não se restringindo tão-somente na capital do Estado, haveria mais de uma. Então, havia em Parnaíba a Liga Sportiva Parnahybana (LSP) e Liga Piauiense de Esportes Terrestres (LPET). Igualmente, em Teresina, a Liga Sportiva Teresinense (LST), Liga Piauhyense de Sports Athleticos (LPSA), Liga Piauhyense de sports Terrestres (LPST), Liga Teresinense de Esportes Terrestres (LTET) e Diretório Piauhyense de Esportes Terrestres (DPET).

Por isso, no Estado do Piauí, o futebol se dava de maneira tal que dois campeões eram considerados. Porquanto, pela LSP, o Parnahyba Sport Club fora campeão em 1916, e, pela LPET, em 1924, 1925, 1926, 1927, 1928 e 1940. Em 1941, por Lei, as Ligas foram fundidas em uma só, originando a Federação.

Conclui-se, então, que desconsiderar os primeiros títulos do Parnahyba, por serem frutos das ligas citadinas, é não considerar, também, os 38 títulos do Sport, de Pernambuco, os 39 do Ceará, de Fortaleza; os 4 do SPAC, os 11 do Paulistano, os 2 do Americano, os 26 do Corinthians, todos de São Paulo…Daí em diante. Porque todos eles contabilizam tais títulos e são, realmente, de direito; são, de fato, os campeões estaduais.

Fica uma pergunta oportuna: qual a razão, em virtude do que foi explanado, da desconsideração dos primeiros títulos do Parnahyba Sport Club, uma vez que tais títulos são da mesma natureza dos títulos dos clubes aqui mencionados?

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